domingo, 10 de outubro de 2010

“Criação”, de Jon Amiel – Dica de Marcelo de Souza Silva

Quando alguém se senta para assistir a um filme que conta a vida do cientista e naturalista Charles Darwin nos anos que precederam o lançamento de seu mais famoso trabalho, “A origem das espécies”, é provável que o faça cercado de expectativas, afinal, trata-se de uma das mais polêmicas teorias científicas de todos os tempos e que até hoje causa muita controvérsia. Essas expectativas podem se confirmar ou não, definindo o destino do filme na avaliação pessoal de cada um. De minha parte, devo dizer que o filme “Criação”, dirigido por Jon Amiel, não correspondeu às minhas expectativas, que eram de um apanhado biográfico menos introspectivo, mas nem por isso deixou de me agradar.

O filme se concentra menos na teoria da evolução do que na vida pessoal de Darwin. É inegável que este enfoque repete fórmulas de outras cinebiografias, mas essa escolha acabou trazendo elementos interessantes à tona que, pelo menos para mim, eram desconhecidos. Um desses elementos é a relutância do cientista em tornar públicas suas ideias, em parte devido à religiosidade de sua esposa, Emma. O conflito entre religião e ciência que a teoria de Darwin potencializou no mundo inteiro foi deslocado para dentro da casa do cientista e, mais ainda, para sua própria mente. Depois de anos estudando a natureza, o cientista (que teve formação religiosa) parece chegar à conclusão de que ela é um “campo de batalha”, onde os espécimes sobrevivem por força ou sorte, gerando um equilíbrio, mas colocando em xeque a ideia cristã de um Deus benevolente que valoriza todas as suas criaturas. Darwin parece relutar em aceitar essa ideia, principalmente quando resiste em contar a história da pequena orangotango Jenny para sua filha Annie, enfatizando o sofrimento que isso lhe traz.
Como aceitar que o destino de seres pelos quais se nutrem sentimentos de amor e afeição é regido por nada além do acaso? Annie, entretanto, gosta de ouvir a história, assim como parece ser a pessoa que melhor compreende as ideias do pai em sua família. A morte de Annie, entretanto, parece confirmar o que Darwin observara no mundo natural: não há uma força moral evidente no universo.

A partir deste trágico acontecimento, o filme nos mostra um Darwin muito perturbado, que tem visões e conversa com sua filha morta, parecendo estar à beira da loucura. Sua relutância em tornar públicas suas ideias persiste, apesar de outros cientistas avessos à Igreja insistirem para que ele faça isso. Essa dúvida se mostra na forma como a esposa reage à perda da filha, procurando e encontrando consolo na religião, ainda que um consolo que Darwin considera absurdo, em contraste com a sua solidão e desespero em aceitar essa mesma perda. Saber a verdade compensa o peso de viver em mundo desprovido de uma justiça superior? Sua decisão de submeter o manuscrito ao parecer final da esposa, que poderia destruí-lo se achasse mais adequado, parece ser uma espécie de solução que mostra o tamanho das contradições que lhe afligiam: um aval de Deus para que o mundo conhecesse um mundo sem Deus.

O quanto de verdade e ficção existe na abordagem do filme parece-me irrelevante na avaliação da qualidade do produto final. De fato, o filme não se presta a ser um tratado sobre a evolução e tampouco um verbete enciclopédico da vida do cientista. Mas a associação de Darwin com o conflito entre ciência e religião, entendido não como um simples confronto de visões distintas, mas como a transformação de uma visão religiosa e moral do mundo em uma visão científica e racional, pode gerar uma série de associações e reflexões, que, certamente, fazem deste filme uma ótima dica.

Filme: Criação
Diretor: Jon Amiel
Roteirista: John Collee, baseado em livro de Randal Keynes
Elenco: Paul Bettany , Jennifer Connelly , Jeremy Northam , Toby Jones , Benedict Cumberbatch
Ano: 2009
Duração: 108 minutos

domingo, 6 de junho de 2010

Como a geração sexo, drogas e rock'n'roll salvou Hollywood

Para muitos críticos, o último apogeu criativo de Hollywood começou em 1967, com "Bonnie e Clyde, uma rajada de balas", e acabou com um filme chamado, ironicamente, de "O portal do paraíso", em 1980. O panteão dos cineastas que fizeram essa história, a chamada Nova Hollywood, é habitado por Francis Ford Coppolla, Martin Scorsese, Robert Altman, Bogdanovich... Também há os campeões de bilheteria George Lucas e Steven Spielberg. Pois esse pessoal, do início da carreira à ascensão, do topo à queda (em vários casos), é radiografado em “Como a geração sexo, drogas e rock’n’roll salvou Hollywood”, de Peter Biskind.
 
O jornalista norte-americano fez uma gigantesca pesquisa e muitas entrevistas para mostrar o bom e o mau desses gênios. Como nasceu a estrela Jack Nicholson, como o malucão Dennis Hopper tornou-se responsável pelo clássico “Easy riders”, como Coppolla ficou quase mais doido que o corone Kurtz nas gravações de "Apocallipse now" dariam enredos incríveis. O livro é também um apanhado sem fim de fofocas e bisbilhotices da vida íntima desses e de outros grandes do cinema, mas fica longe de ser só isso. Biskind faz uma análise da indústria de cinema, das relações de poder e sobre como muitos dos antes garotos prodígio, como Scorsese e Coppolla, por exemplo, sucumbiram a uma quantidade incrível de drogas e álcool e prepotência, que antes era inimaginável e acabou por quase devorá-los. Como alguns, como Friedkin, diretor de “O exorcista”, acreditaram quando disseram que estavam no comando, mas foram derrubados sem piedade.

 
Biskind fala de uma geração que inovou, teve liberdade para criar e, em vez de, com isso, ir mais longe, caiu direto para o fundo do poço. As raras exceções foram os que resolveram mudar para deixar tudo como estava antes do vendaval que foram os anos 1960 e 1970, os que souberam que os anos da contestação, do sexo livre e da luta pela liberdade e contra a guerra estavam dando lugar à era Reagan e a uma guinada para a extrema direita. Por isso, Spielberg e Lucas foram considerados traidores. Nada disso, no entanto, coloca sombras sobre a força criativa e a vontade de transformar histórias em filmes, que resultaram em alguns dos mais inquietantes e belos momentos do cinema norte-americano. E Biskind descreve esses processos.

 
O livro é de uma crueza impressionante, principalmente para leitores brasileiros, acostumados a ler biografias e histórias sobre a indústria de entretenimento apenas com um viés edificante. As críticas ficam para os trabalhos acadêmicos, geralmente em linguagem e abordagens que não interessam ao grande público. Biskind não poupa ninguém e quem ganha é o leitor.

Livro: Como a geração sexo, drogas e rock'n'roll salvou Hollywood
Autor: Peter Biskind
Editora: Intrínseca
Ano: 2009
Número de páginas: 504

sábado, 21 de novembro de 2009

Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia – Dica de Rosane Vargas


Tim Maia, o louco genial e genioso, seguramente uma das mais belas vozes da música brasileira, foi deliciosamente biografado por Nelson Motta. Este é um daqueles livros que a gente lê de um fôlego, entra a madrugada e não larga.

Motta ressalta o talento, mas não esconde os "podres". Amigo que foi de Tim Maia, testemunhou boa parte dos sucessos, dos lances e das sacadas geniais e também as incontáveis brigas, quebras de contrato, abandonos de show pela metade porque não tinha "mais graves, mais agudos, mais retorno" (quem já viu algum show do Tim, in loco ou gravado, sabe o que era isso), porres e quetais. O livro é denso, pois a vida de Tim Maia foi intensa, mas a narrativa é leve e envolvente.

O início da carreira, a ligação com o pessoal da Jovem Guarda, a hilária viagem aos Estados Unidos, a criação das principais músicas, dos hits que até hoje nos fazem dançar e cantar, o suingue incomparável, a inacreditável troca do nome do filho, tudo está no livro. E também os problemas com a aparência, a luta contra a balança, o humor difícil, o abuso de álcool e drogas que comprometeram prematuramente a voz, os ataques de fúria que o faziam quase ir às vias de fato contra um amigo e, no instante seguinte, beijar e abraçar esse mesmo amigo como se nada tivesse acontecido.

Recomendo ler ouvindo as músicas. Aliás, remendação dispensável, pois não dá para ler e conter a vontade de correr e ligar o som para ouvir o "síndico" Tim Maia. A editora dá uma força: colocou todas as músicas do cantor e compositor neste site.

Livro: Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia
Autor: Nelson Motta
Editora: Objetiva
Ano: 2006
Número de páginas: 389

domingo, 20 de setembro de 2009

Maigret se diverte, de Georges Simenon – Dica de Rosane Vargas

Fãs do inspetor da polícia Judiciária de Paris Jules Maigret, corram às livrarias. A L&PM está lançando títulos inéditos no Brasil, com casos cheios de crimes, humor amargo e perspicácia envolvidos em muitas baforadas de cachimbo, copos e copos de bebida e mais uns tantos pratos de comida.

Em "Maigret se diverte", o protagonista está afastado por ordens médicas. Ele e a inseparável sra. Maigret deveriam seguir para Cannes quando o inspetor descobre, pelos jornais, que houve um assassinato. Um corpo foi encontrado no armário do consultório de um famoso e rico médico de Paris. O corpo é da mulher do médico!

Traições, dramas familiares, interesses financeiros... O inspetor não tem como interferir, ou não deveria. As informações que obtém são aquelas a que todos os leitores dos jornais têm acesso. Ele está do outro lado. Precisa esperar a próxima edição dos diários para conhecer os novos passos, os progressos obtidos por seu subordinado inspetor Janvier, encarregado do caso.

Diferentemente de outras histórias de Maigret, nesta há um outro ponto de vista, ou outros, os dos jornalistas. Com os textos das reportagens, o leitor e o inspetor têm exatamente o mesmo conhecimento sobre o caso. Uma escolha narrativa que torna este livro ainda mais interessante.

E, como indica o título, Maigret se diverte. Ele sente o prazer de ser espectador, de tentar adivinhar o desenrolar do caso. No entanto, é claro, Maigret não é um leitor de jornal comum e tem um feeling todo especial para desvendar mistérios e compreender o ser humano. Mais não conto porque o que vale mesmo é acompanhar o desenrolar ao lado do inspetor, quem sabe, como ele, tomando uma cerveja ou copos de calvados.


Super-recomendo.


Livro: Maigret se diverte
Autor: Georges Simenon
Editora: L&PM
Ano: 2009
Número de páginas: 169

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O animal agonizante, de Philip Roth – Dica de Gládis Ludwig

A novela “O animal agonizante”, do escritor Philip Roth, publicada em 2001, apesar contar uma história de sexo, também aborda os temas da liberdade, do desejo e da razão, da decadência física e da degradação psicológica do ser humano e sobre a hipocrisia da sociedade norte-americana.

David Kepesh, um professor aposentado, com 70 anos, relembra e narra sua dramática relação com uma aluna, Consuela, oito anos antes, quando lecionava, num curso livre da Universidade, a disciplina de Crítica Prática e fazia sucesso com um programa cultural na televisão.

Kepesh era um obsessivo sexual e a cada curso escolhia uma aluna para seduzir. Ele diz ser um produto dos anos sessenta, quando os jovens buscavam liberdade total. Liberdade para falar e ouvir o que queriam, votar em quem queriam, ou não votar, de não ir à guerra e, sobretudo, de fazer sexo da forma que queriam, com quem queriam e quantas vezes desejassem, sem necessariamente haver vínculos afetivos entre as partes.

Toda essa liberdade vivida por Kepesh despertou a revolta de seu filho Kenny, agora com 42 anos. Pai e filho se desprezam. O filho porque culpa o pai pela vida desgraçada de sua mãe e pelo seu próprio fracasso emocional, que o levou ao adultério. O pai porque considera a vida casta do filho uma hipocrisia, já que Kenny trai a esposa e só não tem coragem de assumir. Kenny representa o puritanismo dos Estados Unidos.

Além da relação difícil com seu filho, outro conflito vivido por Kepesh é quando se percebe envolvido por Consuela Castillo, uma de suas estudantes, de 24 anos, filha de imigrantes cubanos (ricos), contrariando sua regra de nunca se comprometer emocionalmente. Sempre mantinha o controle de tudo. Ele é quem escolhia a mulher que ia seduzir. No entanto, Consuela, com seus seios perfeitos e pelos pubianos lisos, torna-o dependente com sua indiferença e passa a controlar a situação e ele passa a sofrer estando ou não junto dela, pelo ciúme ou pela falta.


Racionalmente, Kepesh recusa-se a sentir ciúmes e com isso sofre duas vezes: uma por sentir e outra por recusar-se a sentir, por estar se sujeitando a uma banalidade. Recusa a sentimentalidade do amor/paixão. Como diz Roland Barthes em Fragmentos de um discurso amoroso é o obsceno do amor: "Desacreditada pela opinião moderna, a sentimentalidade do amor deve ser assumida pelo sujeito amoroso como uma transgressão forte, que o deixa sozinho e exposto; por uma reviravolta de valores, é justamente essa sentimentalidade que constitui hoje o obsceno do amor" (p. 269).


Reviravolta histórica: não é mais o sexual que é indecente, é o sentimental – censurado em nome daquilo que não passa, no fundo, de uma outra moral. E como diz o próprio Kepesh (p. 62): Não é o sexo que é corrupção – é o resto. Sexo não é só atrito e diversão superficial. É também a maneira como nos vingamos da morte.


Kepesh é movido pelos instintos, pela luxúria e considera todas as conversas e atos de sedução uma “deliciosa imbecilidade do desejo” (pág. 19/20). Pensa que nada disso seria preciso, que tudo serve apenas para disfarçar o desejo simples e puro. O que lhe interessa é o “impulso selvagem”: “Na hora do sexo, todos nós voltamos para a selva. Voltamos para o pântano” (p. 24).


O título da novela refere-se ao conflito entre o desejo pulsante e a decadência física da personagem e foi inspirado nos versos “Consome meu coração; febril de desejo/ E acorrentado a um animal agonizante/ Já não sabe o que é.” (pág. 87) do poeta William Butler Yeats, nascido em 13/06/1865, representante máximo do Renascimento irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX.


Kepesch, nos anos 1960, ao contrário dos jovens, 15 ou 20 anos menos que ele, não podia se dar ao luxo de viver aquela revolução de modo inconsciente. Ele precisava pensar, embora quisesse fazer parte daquele repúdio enlouquecido, bagunçado e barulhento. Atualmente, aos 70 anos, ele acredita que pagou caro ao responder essas perguntas na sua vida prática, cotidiana, e o preço foi o ódio do filho. Ao mesmo tempo em que defende suas idéias, sente-se culpado pela rejeição de seu filho ao seu tipo de vida.


Pode-se estabelecer um paralelo entre esta novela contemporânea e a de Dostoievski “O homem do subsolo”, escrita em 1864, pois ambas parecem levantar questionamentos em comum, como por exemplo, o conflito humano entre razão e sentimento; a natureza do amor; se o amor pode ser racionalizado; se as pessoas quando se apaixonam se completam ou se os efeitos do amor é a fracionamento delas; se o desejo nasce no indivíduo ou é imposto de fora para dentro, pelo corpo social homogeneizador. Enfim, questionam se o homem é livre ou não em seus desejos e o quanto usa da sua capacidade racional.

Em 2008, foi lançado o filme "Fatal", com Ben Kingsley e Penélope Cruz, baseado neste livro de Philip Roth.

Livro: O animal agonizante
Autor: Philip Roth
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2001
Número de páginas: 128

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os irmãos Karamabloch – Dica de Rosane Vargas

O império dos Bloch, do início à queda, com a aventura da TV Manchete, é a história de “Os irmãos Karamabloch”. Um dos pontos mais interessantes é que a narrativa parte de dentro, uma vez que o autor, Arnaldo, é faz parte do clã.

Ele traça um perfil, em cores fortes, dos Bloch responsáveis pela ascensão da família de imigrantes judeus que, depois de meses em uma travessia miserável, chega ao Brasil e consegue o que todos os migrantes esperam: prosperidade. Arnaldo conta, também, como as brigas viscerais, que muitas vezes chegaram às vias de fato, o vício pelo jogo de vários Bloch e a falta de preparo para roleta da globalização levaram à bancarrota uma empresa que chegou a ter o maior parque gráfico da América Latina. Erros nas escolhas, nas apostas e nos blefes.

Adolpho Bloch, o grande czar do império Bloch, primeiro com a gráfica, depois com a grande sacada que foi a revista Manchete e, por fim, com os vários erros com a TV Manchete, centraliza a narrativa. Arnaldo mostra pelo tio-avô admiração, raiva, amor, indulgência, incompreensão. A família era, se me permitem o chavão, um barril de pólvora.

Um livro bem escrito, para ser lido em um ou dois dias. Parece um romance ficcional, mas as histórias que estão ali aconteceram mesmo. Vale a pena ser lido não apenas por quem é do meio da comunicação.

Recomendo.

Livro: Os irmãos Karamabloch
Autor: Arnaldo Bloch
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2008
Número de páginas: 339

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele - Dica de Rosane Vargas


Esta é a primeira incursão de Matheus Nachtergaele na direção. A história se passa em um intervalo curto de tempo, a preparação da Festa da Menina Morta por uma comunidade ribeirinha no Amazonas. Santinho (Daniel Oliveira, em grande desempenho) é o centro da festa e do filme, espécie de guia espiritual.

A santidade surgiu 20 anos antes, quando o então menino recebeu de um cão os trapos, o que restou da roupa de uma menina da comunidade desaparecida ao mesmo tempo em que a mãe dele se suicidava. Foi considerado por todos um sinal e fabricou-se ali o santo.

A santidade do apelido não corresponde aos fatos. Santinho é ríspido, tem rompantes de mau humor, bate nas mulheres que o servem como escravas, quebra objetos, destrata todo mundo. É jovem, mas surge em cena cansado e decadente vestindo as camisolas da mãe, a quem parece ter querido substituir, inclusive na relação com o pai (Jackson Antunes, excelente).

À medida que a festa vai se aproximando, a irritação de Santinho aumenta. E um acontecimento, referente à mãe (Cássia Kiss), vai fazê-lo duvidar da santidade, de tudo. Não vou contar para não estragar. Embora esta cena, da forma como foi feita, tenha me deixado uma impressão de intenção abortada, meio sem conexão.

Aliás, a intenção do diretor me fugiu em alguns momentos. Nachtergaele que não conseguiu fazer uma opção sobre a narrativa. Nas histórias paralelas, em minha opinião mal resolvidas, ele mostra os ribeirinhos de forma mais humanizada em alguns momentos, para em outros retratá-los de maneira animalizada, apenas instintos, lembrando filmes do Cláudio Assis, mas sem a coragem necessária.


De qualquer forma, “A festa da menina morta” é visualmente interessante, em certos momentos parece um documentário sobre manifestações religiosas na região do Amazonas. Não apresenta grandes novidades, mas é bonito, forte e tem um elenco muito afiado. Foi boa a estreia de Nachtergaele.

Recomendo

Filme: A festa da menina morta
Diretor: Matheus Nachtergaele
Roteiristas: Matheus Nachtergaele e Hilton Lacerda
Elenco: Daniel Oliveira, Jackson Antunes, Dira Paes, Cássia Kiss, Paulo José, Juliano Cazarré, Conceição Camaroti, Edneusa Sahdo, Laureane Gomes, Francisco Mendes, Rosa Malagueta, Bitta Catão
Ano: 2008
Duração: 115 minutos